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sábado, 6 de novembro de 2010
Corrente Cultural e Virada Cultural começam hoje!
A partir do meio dia de hoje começa a Corrente Cultural (veja a programação completa) promovida pela Fundação Cultural de Curitiba, Prefeitura de Curitiba, com centenas de atrações gratuitas até dia 14 de novembro. Porém, durante as primeiras 24 horas ininterruptas a Virada Cultural (veja a programação completa) tomará conta da cidade espalhada em diversos palcos e espaços culturais.
Paulinho da Viola com Orquestra À Base de Corda, Hermeto Pascoal e Orquestra Sinfônica do Paraná, Sandra de Sá, Pato Fu, Arrigo Barnabé e Orquestra À Base de Sopro, Vocal Brasileirão, Copacabana Club, Mart'Nália, Rogéria Holtz, Bigtime Orquestra, Erasmos Carlos e muito mais estarão esperando pela sua presença neste final de semana de pura diversão, cultura e entretenimento!
Escolha o que você mais gosta e aproveite essa nova virada na sua vida!
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quarta-feira, 28 de julho de 2010
meu medo, de Murilo Hauser
Amanhã, dia 29/07, às 20h, na Cinemateca, tem o lançamento do filme "meu medo", curta de Murilo Hauser e produção de Henrique Martins e Frederico Machuca, rodado em 35".
Bem, falar do Murilo e do Henrique é fácil: os caras são geniais. Só isso. Então, assistir qualquer coisa deles é assistir a algo simplesmente genial!
Quer conhecer mais um pouco é só acessar o link http://www.meumedo.com
Facebook, por que não?
Tenho usado bastante a ferramenta Facebook para me comunicar com os amigos. Blog é um lance bacana também que te permite escrever à vontade sem se preocupar com os 420 caracteres necessários no mural do Face.
Sempre quis escrever o dia a dia da minha vida, as coisas legais, claro, mas acontece que dá uma preguiça danada quando não se tem uma metodologia, uma disciplina mesmo. Mas eu tento. E seguirei tentando.
Hoje em dia se fala sobre tudo em tudo quanto é blog. Li que existe um espaço - um não, vários - para se falar sobre a onda dos esmaltes. Sim, os esmaltes. E que graças a Chanel quando lançou um esmalte de cor verde a onda cresceu. Há especialistas, normalmente garotas de vinte e bem poucos anos, que tem parceria com grandes empresas de cosmético dando dicas sobre essa tinta que se passa nas unhas e que já é usada há mais de 4 mil e tantos anos. Que tal?
Procurarei falar mais sobre esse dia a dia nesta cidade que, por exemplo, pela manhã um frio modorrento e agora, neste exato momento, um sol de verão. Coisas acontecem. Sempre. Tá, ok, com maior ou menos intensidade, mas elas acontecem.
Sempre que escrevo tem uma pessoa que não sai da minha mente buzinando sobre o nada que se instaura, muitas vezes, na capital das araucárias. O Felipe Hirsch, amigo e ídolo, está sempre ao meu lado com aquele olhar maroto e balançando a cabeça e dizendo "quanta ingenuidade!". Mesmo com Felipe na cola, vou escrever. Aliás, isso é bom porque me inspira e me força a analisar sem ufanismos.
Sempre quis escrever o dia a dia da minha vida, as coisas legais, claro, mas acontece que dá uma preguiça danada quando não se tem uma metodologia, uma disciplina mesmo. Mas eu tento. E seguirei tentando.
Hoje em dia se fala sobre tudo em tudo quanto é blog. Li que existe um espaço - um não, vários - para se falar sobre a onda dos esmaltes. Sim, os esmaltes. E que graças a Chanel quando lançou um esmalte de cor verde a onda cresceu. Há especialistas, normalmente garotas de vinte e bem poucos anos, que tem parceria com grandes empresas de cosmético dando dicas sobre essa tinta que se passa nas unhas e que já é usada há mais de 4 mil e tantos anos. Que tal?
Procurarei falar mais sobre esse dia a dia nesta cidade que, por exemplo, pela manhã um frio modorrento e agora, neste exato momento, um sol de verão. Coisas acontecem. Sempre. Tá, ok, com maior ou menos intensidade, mas elas acontecem.
Sempre que escrevo tem uma pessoa que não sai da minha mente buzinando sobre o nada que se instaura, muitas vezes, na capital das araucárias. O Felipe Hirsch, amigo e ídolo, está sempre ao meu lado com aquele olhar maroto e balançando a cabeça e dizendo "quanta ingenuidade!". Mesmo com Felipe na cola, vou escrever. Aliás, isso é bom porque me inspira e me força a analisar sem ufanismos.
Pop Cult 11, por Felipe Hirsch, n'O Globo
Os olhos tristes e sombrios de Rufus Wainwright, borrados de maquiagem negra, ilustram a capa de All Days Are Nights - Songs For Lulu. O mais recente lançamento do artista canadense é uma coletânea de músicas dedicadas à personagem principal das obras O Espírito da Terra e A Caixa de Pandora do dramaturgo alemão Frank Wedekind. Adaptada mais de uma dezena de vezes para as telas de cinema, entre elas na versão clássica de Georg Wilhelm Pabst com Louise Brooks, a complexa obra sobre o instinto selvagem de Lulu também foi usada na ópera póstuma do compositor Alban Berg, e até como fonte de inspiração para uma série de videogames.
Aqui, no universo de Rufus Wainwright, Lulu é a interlocutora do compositor. Esse endereçamento demonstra também o estado de espírito de Rufus durante a realização do disco. A morte por câncer de sua mãe, a cantora de música folk Kate McGarrigle, inspirou um album melancólico e nebuloso, gravado em piano e voz, como se o coração do artista tivesse sido extraído, arrancado como o de Lulu, por Jack, o Estripador, no último ato da obra. Rufus disse que "Lulu é a soturna e nociva mulher que vive dentro de todos nós, como a Dark Lady, personagem dos sonetos de Shakespeare".
O disco é uma coletânea das diversas obras conceituais realizadas por Rufus nos últimos anos: os citados sonetos de Shakespeare musicados para uma peça do Berliner Ensemble, dirigida por Bob Wilson, no Theater am Schiffbauerdamm. Uma ária de sua primeira ópera, Prima Donna, sobre o amor de uma velha cantora lírica e um jornalista; e algumas canções populares, compostas durante a tour em companhia de sua irmã Martha e de sua mãe. Entre estas, a bela "The Dream", "True Love", "Sad with What I Have" (que cita o Barba Azul de Perrault e Bartok), "Martha" (um recado deixado pelo irmão mais velho), e "Zebulon" que encerra o disco com referências sobre o estado de saúde de sua mãe, Kate. "Give Me What I Want and Give It to Me Now!" é uma réplica às críticas maldosas recebidas por seu tortuoso trabalho em Prima Donna. Numa das mais violentas, um famoso crítico de música erudita afirmava: "não basta se vestir como Giuseppe Verdi, Sr. Wainwright". No trecho (Les feux d`artifice t`appellent) da ária de sua ópera, gravado para o disco, Rufus bate no piano e dedilha suas cordas, simulando sons de fogos de artifício. Tive a sorte de presenciar a produção de "Shakespeares Sonette" no Berliner Ensemble, e também a estréia da ópera Prima Donna, esta m em Manchester. Nos dois trabalhos, o brillhante talento de Rufus se destacava. No primeiro, percebi a consciência e referências à tradição musical (Dessau, Eisler e Weill) da companhia Brechtiana. No último, umatour de force lírica e vigorosa resistia a uma encenação ingênua e duvidosa.
A questão mais interessante acerca da obra de Rufus Wainwright foi levantada por Elton John. Ele disse: "Se nós não estivermos preparados para ouvir as músicas de Rufus Wainwright, estamos com sérios problemas". Disse isso, porque temia que a obra de Rufus fosse recusada pelos meios da música popular e confinada a guetos de minorias intelectuais. É fato, Rufus Wainwright vende muito pouco. Nos últimos anos vem se dedicando, cada vez mais, a projetos conceituais. Entre eles a recriação, na íntegra, do famoso show de Judy Garland no Carnegie Hall em 1961. Em recente entrevista, Rufus Wainwright, confortável com a sua posição, disse que sua missão era salvar os jovens de Lady Gaga.
Me apaixonei por Rufus na chuva. No Central Park, no show Release the Stars, com guarda-chuvas batendo nos meus olhos. Desde o início do show, a impressão era tão comovente que o público esperou pela segunda parte, durante um intervalo programado de 15 minutos, parado em pé sob a tempestade. A sua voz, inesquecível, cantava algumas frases sobre um passeio pelo Tiergarten de Berlim, dizendo "não importa se está chovendo", enquanto o público encharcado aplaudia concordando. Naquele momento, Rufus já era o novo gênio da história musical da cidade. Um virtuoso enfant terrible que gravou o promissor primeiro disco com arranjos de cordas do mestre Van Dyke Parks. Aos 14 anos, Rufus foi abusado sexualmente no Hyde Park de Londres por um homem conhecido em um Pub. Optou por uma vida celibatária por quase uma década depois da experiência, o que, segundo o próprio, o levou a uma vida promíscua em seguida. Durante o período de gravação de seu segundo e mais vendido disco, Poses, Rufus morava no clássico Chelsea Hotel e dedicava-se a uma intensa vida boêmia, regada a Crystal Meth. Sua dependência atingiu o clímax quando, durante "a semana mais surreal" de sua vida, Rufus ficou cego, temporariamente. Reabilitado, gravou em uma extensa sessão, com a complexa e brilhante produção de Marius de Vries, as duas partes de All I Want. Sua obra-prima.
Desde então, daquele dia no parque molhado, venho cantarolando os versos de 14th st., música de encerramento do show. Há 4 anos. Aquela parte " (...) don`t ever change, don`t ever worry..."
No início dos anos 90, o jovem Rufus, caminhava pelas ruas nevadas de Manhattan, até a St. Mark`s Place, no lado leste do Village, para assistir outro jovem talento, por quem Rufus tinha uma relação platônica de paixão e ódio. Esse outro garoto chamava Jeff Buckley.
Pop Cult 10, por Felipe Hirsch, n'O Globo
POP CULT 10
A primeira vez que eu me lembro de estar dentro de um cinema foi no Rio de Janeiro, com seis anos, talvez, assistindo Meu Tio (Mon Oncle) de Jacques Tati. Uma experiência constantemente revisitada na minha memória. Voluntáriamente, lembro-me da madeira dos braços da cadeira onde sentei, um pouco à direita e a frente do cinema. Lembro da cópia também, um pouco azulada e cinza. Estar ali, levado pela mão de minha mãe, percebendo o assimilável àquele estágio de minha vida mas, ainda assim, sendo conquistado para sempre é, definitivamente, uma das histórias mais importantes da minha vida.
Você pode imaginar a minha excitação infantil quando ao caminhar entre o 10˚ e o 12˚ arrondissement de Paris, ao longo do Canal de Saint-Martin, vindo de uma outra visita cinematográfica ao bar do Hôtel Du Nord, cheguei na cinemateca francesa e entrei na exposição Deux Temps Trois Mouvements sobre a obra de Jacques Tati: Cenários, objetos usados pelo personagem Monsieur Hulot, impressões visuais e sonoras de seus filmes, desenhos originais de Pierre Etaix, instalações inspiradas em suas obras, entrevistas com personalidades influenciadas pelo cinema de Tati, como Michel Gondry, David Lynch, Wes Anderson, Jean-Claude Carriere entre outros. Lá estavam expostos o peixe-chafariz do jardim da casa da família Arpel de Mon Oncle, a bicicleta!, o célebre cachimbo, o guarda chuva e o sobretudo de Sr. Hulot, a raquete de tênis de suas férias, partes dos cenários e dos objetos construídos para o filme Playtime batizados "Tativille": os chapéus decorados, o painel de controle e interfone, a poltrona sonora, o sinal de neon da entrada do restaurante.
Ainda nessa exposição consegui minha cópia de "Tati Sonorama!": uma completa coleção das trilhas sonoras dos filmes de Jacques Tati. Existem outras três edições, mas nenhuma completa e remasterizada a partir das fitas originais. A edição limitada de Sonorama! ainda contém uma seleção dos clássicos efeitos sonoros de seus filmes (trânsito, cães latindo, crianças brincando, aeroportos, repartições) e um encarte cuidadosamente compilado, repleto de informações sobre os fabulosos criadores dessas trilhas. Textos sobre Francis Lemarque (criador da brilhante trilha do filme Playtime) e do polonês Alain Romans (Mon Oncle e Les Vacances de Monsieur Hulot), parceiro de Django Reinhardt e Josephine Baker.
Os filmes de Jacques Tati são frutos de uma profunda análise das questões do mundo moderno ocidental. A indústria, a arquitetura, o design, a moda, a tecnologia, a superficialidade das relações sociais; nada fugiu da observação cômica do mestre francês. Jacques Tatischeff era filho de pai Russo. Ganhou certa notoriedade trabalhando como clown em cabarés de Paris no final da década de 30 e durante a guerra. Seu primeiro filme Jour de Fête ainda não apresentava o seu mais famoso personagem. A partir de Les Vacances de Monsieur Hulot (As Férias do Sr. Hulot), filme de 1953, Tati edificou uma história clássica construída com um repertório de poucos filmes. Nestes filmes, poucos diálogos e muitas gags visuais e sonoras, elaboradas com muito virtuosismo e emoção.
Tati gastou quase uma década para filmar, em 70mm, o seu projeto mais ambicioso: Playtime. Gastou também suas economias e boa parte de sua saúde. Truffaut definiu Playtime como um filme de outro planeta. O fracasso comercial desta obra-prima quebrou financeiramente Jacques Tati e o levou a uma profunda depressão que o acompanhou até sua morte no início da década de 80. Tati ainda realizou mais dois filmes. Entre eles, o não menos genial, Traffic. Antes deste, planejou uma colaboração com os irmãos Mael da banda Sparks, brilhantes criadores dos discos Kimono My House e Propaganda. A ficção futurista chamaria Confusion, mas não foi realizada. Sylvain Chomet, criador de As Bicicletas de Belleville, lançou em 2010 o filme de animação O Ilusionista, baseado em um roteiro não produzido por Tati, escrito no auge de sua força no período entre Mon Oncle e Playtime. O polêmico roteiro é aparentemente dedicado à sua primeira filha, abandonada durante a segunda guerra, embora a nova produção não admita isto.
No início do ano passado, recebi uma ligação comovida de Daniela Thomas que acabara de ver a restauração da cópia de 70mm de Playtime no Festival de Berlim de Cinema. Mais de quarenta anos depois, o festival justificava, intelectualmente, a condição de Jacques Tati de ver sua obra-prima projetada por equipamentos 70mm (Tati não gostava de planos fechados), parte do motivo de sua ruina. Foi ele também que educou nossos sentidos para as suas cores. O preto, o branco, o verde acizentado, o castor, a madeira, o eventual vermelho e aquele azul impossível que vi na tela, naquele dia, em Mon Oncle.
A primeira vez que eu me lembro de estar dentro de um cinema foi no Rio de Janeiro, com seis anos, talvez, assistindo Meu Tio (Mon Oncle) de Jacques Tati. Uma experiência constantemente revisitada na minha memória. Voluntáriamente, lembro-me da madeira dos braços da cadeira onde sentei, um pouco à direita e a frente do cinema. Lembro da cópia também, um pouco azulada e cinza. Estar ali, levado pela mão de minha mãe, percebendo o assimilável àquele estágio de minha vida mas, ainda assim, sendo conquistado para sempre é, definitivamente, uma das histórias mais importantes da minha vida.
Você pode imaginar a minha excitação infantil quando ao caminhar entre o 10˚ e o 12˚ arrondissement de Paris, ao longo do Canal de Saint-Martin, vindo de uma outra visita cinematográfica ao bar do Hôtel Du Nord, cheguei na cinemateca francesa e entrei na exposição Deux Temps Trois Mouvements sobre a obra de Jacques Tati: Cenários, objetos usados pelo personagem Monsieur Hulot, impressões visuais e sonoras de seus filmes, desenhos originais de Pierre Etaix, instalações inspiradas em suas obras, entrevistas com personalidades influenciadas pelo cinema de Tati, como Michel Gondry, David Lynch, Wes Anderson, Jean-Claude Carriere entre outros. Lá estavam expostos o peixe-chafariz do jardim da casa da família Arpel de Mon Oncle, a bicicleta!, o célebre cachimbo, o guarda chuva e o sobretudo de Sr. Hulot, a raquete de tênis de suas férias, partes dos cenários e dos objetos construídos para o filme Playtime batizados "Tativille": os chapéus decorados, o painel de controle e interfone, a poltrona sonora, o sinal de neon da entrada do restaurante.
Ainda nessa exposição consegui minha cópia de "Tati Sonorama!": uma completa coleção das trilhas sonoras dos filmes de Jacques Tati. Existem outras três edições, mas nenhuma completa e remasterizada a partir das fitas originais. A edição limitada de Sonorama! ainda contém uma seleção dos clássicos efeitos sonoros de seus filmes (trânsito, cães latindo, crianças brincando, aeroportos, repartições) e um encarte cuidadosamente compilado, repleto de informações sobre os fabulosos criadores dessas trilhas. Textos sobre Francis Lemarque (criador da brilhante trilha do filme Playtime) e do polonês Alain Romans (Mon Oncle e Les Vacances de Monsieur Hulot), parceiro de Django Reinhardt e Josephine Baker.
Os filmes de Jacques Tati são frutos de uma profunda análise das questões do mundo moderno ocidental. A indústria, a arquitetura, o design, a moda, a tecnologia, a superficialidade das relações sociais; nada fugiu da observação cômica do mestre francês. Jacques Tatischeff era filho de pai Russo. Ganhou certa notoriedade trabalhando como clown em cabarés de Paris no final da década de 30 e durante a guerra. Seu primeiro filme Jour de Fête ainda não apresentava o seu mais famoso personagem. A partir de Les Vacances de Monsieur Hulot (As Férias do Sr. Hulot), filme de 1953, Tati edificou uma história clássica construída com um repertório de poucos filmes. Nestes filmes, poucos diálogos e muitas gags visuais e sonoras, elaboradas com muito virtuosismo e emoção.
Tati gastou quase uma década para filmar, em 70mm, o seu projeto mais ambicioso: Playtime. Gastou também suas economias e boa parte de sua saúde. Truffaut definiu Playtime como um filme de outro planeta. O fracasso comercial desta obra-prima quebrou financeiramente Jacques Tati e o levou a uma profunda depressão que o acompanhou até sua morte no início da década de 80. Tati ainda realizou mais dois filmes. Entre eles, o não menos genial, Traffic. Antes deste, planejou uma colaboração com os irmãos Mael da banda Sparks, brilhantes criadores dos discos Kimono My House e Propaganda. A ficção futurista chamaria Confusion, mas não foi realizada. Sylvain Chomet, criador de As Bicicletas de Belleville, lançou em 2010 o filme de animação O Ilusionista, baseado em um roteiro não produzido por Tati, escrito no auge de sua força no período entre Mon Oncle e Playtime. O polêmico roteiro é aparentemente dedicado à sua primeira filha, abandonada durante a segunda guerra, embora a nova produção não admita isto.
No início do ano passado, recebi uma ligação comovida de Daniela Thomas que acabara de ver a restauração da cópia de 70mm de Playtime no Festival de Berlim de Cinema. Mais de quarenta anos depois, o festival justificava, intelectualmente, a condição de Jacques Tati de ver sua obra-prima projetada por equipamentos 70mm (Tati não gostava de planos fechados), parte do motivo de sua ruina. Foi ele também que educou nossos sentidos para as suas cores. O preto, o branco, o verde acizentado, o castor, a madeira, o eventual vermelho e aquele azul impossível que vi na tela, naquele dia, em Mon Oncle.
terça-feira, 15 de junho de 2010
Pop Cult 6, por Felipe Hirsch, n'O Globo
Existem inúmeros exemplos de discos conceituais sobre o fim de relacionamentos amorosos. Obras confessionais sobre rompimento, perdas, compostas em períodos sombrios, logo após ou durante uma separação. Estes exemplos são os meus preferidos:
Frank Sinatra – In The Wee Small Hours 1955 – A voz de Sinatra nunca foi tão melancólica, solitária e desolada. Reflexo de sua relação angustiante com Ava Gardner. Moon Indigo de Duke Ellington, What Is This Thing Called Love? de Cole Porter e principalmente, I Get Along Without You Very Well do gênio de Hoagy Carmichael, são trechos dessa história de amor contada faixa a faixa. Só lembro de um Sinatra mais triste: em September of my Years, seu album conceitual sobre a velhice e sobre seu relacionamento com a jovem Mia Farrow.
Lee Hazlewood – Requiem For An Almost Lady 1971 – Uma poderosa voz nos conduz pelos caminhos de sua relação agonizante. Dez faixas curtas, com introduções faladas, compõem esse disco cheio de ironia e desconfiança na relação com o amor. Minha preferida é a de abertura: I`m Glad I Never (Be Glad I Never Owned A Gun). Uma meditação sofisticada, e repleta de humor negro, sobre a ternura perdida.
Paulinho da Viola – Nervos de Aço 1973 – A primeira separação levou o compositor a se expor corajosamente nesse disco. Da faixa título de Lupicínio Rodrigues ao Choro Negro no final sombrio, de Não Quero Mais Amar A Ninguém a inacreditávelmente bela Comprimido, tudo nesse disco confessa a dor. “O meu primeiro amor morreu, como a flor ainda em botão …”
John Lennon – Walls And Bridges 1974 – Criado durante o período de sua vida conhecido como “Lost Weekend”: Uma mistura de exílio dopado e festa sem fim, em Los Angeles, durante um tempo de separação de Yoko Ono. Um disco desigual, surreal, revelando o momento extremo que passava. A voz de Lennon em #9 Dream é inesquecível. Nobody Loves You When You`re Down And Out continua sendo uma das músicas mais tristes que conheço.
Bob Dylan – Blood On The Tracks 1975 – Concordo com quem diz que Bob Dylan lançou obras mais importantes, mas nunca melhores do que esse disco. É o meu escolhido. A capa, o título, a composição mais perfeita de um disco de amor. Ou melhor, sobre o final dele. Arrependimentos, pedidos de perdão e acusações. Um documento confessional emocionante. Gravou o disco duas vezes. Um primeiro mais melancólico e amador. Um outro mais agressivo e profissional. Esse último é o oficial. Procure também Blood On The Tracks Bootlegs. Ou ouça as três faixas da primeira gravação, lançadas oficialmente, na Bootleg Series 1-3. É interessante saber que, apesar de ser reconhecido como o disco da separação de seu casamento com Sara, Bob Dylan afirma, em suas Crônicas Volume 1, ter se inspirado nos contos de Tchecov para criar as canções.
Marvin Gaye – Here, My Dear 1978 – Os sons do divórcio gravados. A separação de Anna Gordy Gaye rendeu a Marvin esse disco único em sua carreira. Espécie de diário longo da ruína de uma relação, o disco contava a infelicidade e o inconformismo do seu criador. Na sua capa, vítima de um julgamento, Marvin Gaye entregava sua música em troca de jóias e futilidades. O incrível cantor nunca pareceu tão frágil e falível, mas ouvi-lo assim, embora melancólico, é um testemunho comovente.
Caetano Veloso – Caetano 1987 – O “disco da praia”. O disco triste de Caetano. A morte do pai e a confirmação do fim de seu primeiro casamento se refletem na voz e no tempo do artista. Na primeira frase, uma confissão: “Estou no fundo do poço”. A partir daí, José, Noite de Hotel, Canto do Bola de Neve, O Ciúme e a sensível regravação de Fera Ferida nos conduzem pelo mar azul de sua tristeza. Produção crua e conceitual de Caetano e Guto Graça Mello. Capa linda de Luiz Zerbini e Flavio Colker.
Bruce Springsteen – Tunnel Of Love 1987 – Um disco intimista, pessoal e romântico, na contramão do poderoso sucesso de Born In The U.S.A. Autobiográfico, Bruce relata abertamente a história do último ano de seu casamento. Na mais linda canção do disco ele nos diz: “A mesma velha história, um passo pra frente e dois para trás, é a mesma coisa noite após noite, quem está errado, quem está certo, uma outra briga e eu bato a porta, uma outra batalha na nossa pequena guerra, quando eu olho pra mim eu não vejo o homem que eu queria ser, em algum lugar do caminho eu me perdi, andando um passo pra frente e dois para trás.”
Recentemente, tantos outros poderiam ser citados: O belo Sea Change do Beck; For Emma Forever Ago de Bon Iver e mesmo Back To Black da Amy Winehouse. A discografia da separação é longa e generosa.
Sempre lembramos do nosso primeiro amor de uma maneira doce. Mesmo que ele tenha acabado. Não é uma coisa triste. Não é uma má lembrança. É claro que seria melhor homenagear o dia dos namorados listando discos conceituais sobre o início do amor. Mas são tantos! Estes acima são sobre as perdas. Mas como disse Paulo José, em Insolação: o amor não foi feito para sermos felizes e sim para nos sentirmos vivos.
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sábado, 5 de junho de 2010
Pop Cult 4, por Felipe Hirsch, n'O Globo
Um dia desses, meu telefone toca desesperado. É a voz comovida do meu amigo Guto.
- Robbb…confirm…vem…lip…ati!!
- O que, cara??
E tomando fôlego, de uma vez só
- ROBERT CRUMB VEM PRA FLIP EM PARATI!!
Passamos o final da década de 80 e o início dos anos 90, eu e boa parte dos meus amigos, frequentando um prédio abandonado, moradia do Guto, no centro de Curitiba. Apenas um apartamento tinha água e eletricidade. Lá dentro, um rodízio, 24 horas, de jovens em busca de informações perdidas. Cultura em geral: rock, quadrinhos, literatura, filmes, seriados, games e por que não? drogas. Nesse lugar, ouvi pela primeira vez o vinil de Doolittle do Pixies. Líamos Leminski, Fante, Kafka, ouvíamos Bowie, assistíamos Billy Wilder. Entre pratos sujos e pontas de cigarro, repousava a valiosa coleção de quadrinhos do meu amigo. Líamos Robert Crumb muito. Líamos muito Will Eisner.
O perigoso senhor Crumb, que aterrorizará nossa pequena cidade colonial, é filho de um pai fuzileiro naval repressor e de uma mãe católica, maníaca depressiva, viciada em pílulas para emagrecer e anfetaminas. Robert cresceu sob a influência e amizade de seu irmão mais velho Charles, que o introduziu ao mundo dos quadrinhos. Charles cumpriu um destino trágico. Ainda menino se apaixonou, perdidamente, pelo ator mirim Bobby Driscoll que interpretava o personagem Jim Hawkins em A Ilha do Tesouro. A partir daí, desenvolveu uma obsessão pela história, reproduzida, incansavelmente, em seus desenhos e brincadeiras infantis. Adolescente, Charles Crumb foi vítima de violentos atos de bullying na escola e caiu numa profunda depressão que o deixou, pelo resto da vida, recluso na casa de sua mãe, vivendo a base de doses cavalares de antidepressivos. Passou os últimos anos de sua vida relendo, compulsivamente, livros da era Vitoriana e preenchendo, obsessivamente, milhares de folhas com desenhos repetitivos. Charles, a maior influência da vida do irmão Robert Crumb, acabou se suicidando em 1992. Seu irmão mais novo, Maxon, vive em um pequeno quarto de hotel, pintando obras sádicas, meditando numa cama de pregos e bolinando meninas chinesas na entrada do metrô. Optou pelo celibato, o que, ele acredita, o levou a epilepsia. Mensalmente engole uma longa fita de tecido que, no trajeto entre sua boca e ânus, limpa seu intestino. Boa parte do relato acima, você poderá ver, em detalhes, no incrível documentário Crumb de Terry Zwigoff (aquele que dirigiu Ghost World).
Robert saiu de casa antes de completar vinte anos. Trabalhou, em Cleveland, como ilustrador para uma grande corporação de cartões de felicitações. Seu chefe definia seus desenhos como grotescos e o treinou para desenhar de maneira fofa. Crumb, mais tarde, confessou sua atração sexual por personagens adoráveis e felpudos, citando Pernalonga, como o mais desejável. Reconhecido masturbador, Crumb desenhou a coleção completa de portraits das meninas que cobiçou no ginásio. Em todas, traços sinuosos insinuam suas intenções. Eu ouvi toda essa baboseira de ser “você mesmo”. Mas quando eu era “eu mesmo”, as pessoas me detestavam. Fracassei tentando ser um garoto normal. Então passei a frequentar o lado negro da cidade, em busca de velhos discos 78 rotações.
Em São Francisco, nos anos 60, Crumb se mistura à cena da contracultura de Haight-Ashbury. Seu envolvimento com o LSD traz uma característica de fluxo de consciência para seus personagens. Não que ele se sentisse à vontade com o movimento flower power, pelo contrario, confessou ter dormido em pé durante um show do Grateful Dead. Patinho feio dessa geração, Crumb sempre se vestiu com seus poídos ternos tradicionais, ouviu viciadamente seus inúmeros vinis dos anos 20 e 30 e ilustrou uma coleção de portraits de pioneiros do folk, jazz e blues americano.
Vendendo as primeiras edições da Zap Comix (revista seminal de quadrinhos independentes), no carrinho de bebê do seu primeiro filho, Robert Crumb cresceu e ganhou uma projeção enorme no circuito cultural alternativo do país. Criou, nessa época, alguns de seus mais ilustres personagens: Mr. Natural, Keep on Truckin, Devil Girl. Foi convidado para ilustrar a Rolling Stone, criou a capa de Cheap Thrills para Janis Joplin, influenciou o renascimento criativo de Will Eisner, redefiniu o termo underground comix. Ainda assim, passava seus dias sozinho, em um café, desenhando os transeuntes e ignorando a fama. Dana Crumb, sua primeira esposa, autorizou o uso da personagem Fritz, The Cat em um longa metragem. Deprimido com o resultado, Robert desenha a morte do personagem que ele tinha criado na adolescência. O gato morre assassinado por uma ex-namorada com um fura-gelo.
Acusado por feministas de produzir pura pornografia sexista, misógina e, por vezes, pedófila e incestuosa, Crumb foi exaltado por grandes críticos de arte que salientavam sua crítica social obstinada e a qualidade soberba e clássica de sua arte gráfica comparada, no seu senso da monstruosidade, a obra de Goya e Brueghel. Só o impacto do personagem autobiográfico de Crumb, perdido e entregue ao desejo, ao sofrimento intelectual, foi capaz de nos revelar o horror do subconsciente Americano.
Sophie, nasce no início dos anos 80. Filha de Crumb e Aline Kominsky, atual esposa e personagem constante de sua obra. Nos anos 90, Robert e Aline, desiludidos com os valores da America, decidem trocar uma mala cheia de originais por uma casa na pacata cidade de Sauve, sul da França. Com exceção de raras viagens ao seu país, Crumb é um recluso que passou os últimos anos ilustrando o Livro do Gênesis. Este lançamento é o motivo de sua inacreditável visita ao Brasil.
Sophie, nasce no início dos anos 80. Filha de Crumb e Aline Kominsky, atual esposa e personagem constante de sua obra. Nos anos 90, Robert e Aline, desiludidos com os valores da America, decidem trocar uma mala cheia de originais por uma casa na pacata cidade de Sauve, sul da França. Com exceção de raras viagens ao seu país, Crumb é um recluso que passou os últimos anos ilustrando o Livro do Gênesis. Este lançamento é o motivo de sua inacreditável visita ao Brasil.
- ROBERT CRUMB VEM PRA FLIP EM PARATI??
No dia 7 de agosto se reunirão, na mesma mesa, Robert Crumb e Gilbert Shelton, criador dos Freak Brothers. Será a penúltima mesa do dia. A última está reservada para o Rei de Nova Iorque, Lou Reed.
No dia 7 de agosto se reunirão, na mesma mesa, Robert Crumb e Gilbert Shelton, criador dos Freak Brothers. Será a penúltima mesa do dia. A última está reservada para o Rei de Nova Iorque, Lou Reed.
Na chuva de galochas!
Ontem percebi que eu gosto de andar na chuva com minhas galochas e um bom guarda-chuva! Saí de casa e peguei um biarticulado até o Mueller para resolver um problema sério que aconteceu com meu iPhone. Resolvido, claro. Mas já na rua e Carol com visitas em casa, resolvi encarar o Robin Hood do Russel Crowe e Cate Blanchet. Bem legal.
Na volta a mesma sensação de liberdade caminhando pelas ruas com prazer agarrado no meu guarda-chuva e protegido com minhas galochas. As lembranças dentro do vermelhão me levaram para Londres dos anos 90 quando por ali vivi durante um bom tempo.
Caminhar em Londres é fato assim como os lindos dias cinzentos e chuvosos nessa terra tão querida e que me causou saudade pelo trajeto Centro - Santa Cândida. E para marcar ainda mais essa memória tão afetiva um rapaz ao meu lado seguia firme e forte com seus Dr. Marteens - http://www.drmartens.com/ - preto que mantinha seus pés secos.
Caminhar absorto em seus pensamentos e memórias é um momento de felicidade e inspiração. Lembrar de uma vida que já passou é ponte para um futuro que chega.
É isso!
Na volta a mesma sensação de liberdade caminhando pelas ruas com prazer agarrado no meu guarda-chuva e protegido com minhas galochas. As lembranças dentro do vermelhão me levaram para Londres dos anos 90 quando por ali vivi durante um bom tempo.
Caminhar em Londres é fato assim como os lindos dias cinzentos e chuvosos nessa terra tão querida e que me causou saudade pelo trajeto Centro - Santa Cândida. E para marcar ainda mais essa memória tão afetiva um rapaz ao meu lado seguia firme e forte com seus Dr. Marteens - http://www.drmartens.com/ - preto que mantinha seus pés secos.
Caminhar absorto em seus pensamentos e memórias é um momento de felicidade e inspiração. Lembrar de uma vida que já passou é ponte para um futuro que chega.
É isso!
quarta-feira, 28 de abril de 2010
Vó Lourdes, bom pacas!
O restaurante Vó Lourdes, em 2010, apresenta a proposta de promover, a cada sábado, diferentes experiências em sua cozinha. No jantar do dia primeiro de maio, a cozinha estará sob o comando do jovem Chef Daniel Simas (na foto), que após passar por alguns dos mais prestigiados restaurantes do Rio de Janeiro, decidiu instalar uma cozinha exclusivamente para produzir seus cupcakes e é feliz fazendo o que gosta. Eventualmente elabora jantares e organiza pequenas e exclusivas reuniões gastronômicas. Sente falta da cozinha salgada e sempre que surge uma boa oportunidade, dá um intervalo na sua confeitaria para pensar em menus e entrar com vontade na elaboração de uma festa na mesa do início ao fim.
O convite surgiu informalmente, Daniel se encantou com o pequena e deliciosa casinha, onde há uma cozinha, absolutamente encantadora e verdadeira - segundo ele. O restaurante apresenta ao seu público a oportunidade de uma cozinha simples porém sofisticada no sentido de ser baseada na escolha de ingredientes naturais e de qualidade. O chef, para esta noite, tratou de elaborar um cardápio simples porém repleto de afeto e conforto. Será servido um trio de entradas - uma fria, uma morna e uma quente, após um chá. A seguir, o prato principal que promete perfume e sabor. Encerrando, uma deliciosa sopa de frutas, servida com uma miniatura de um dos seus famosos cupcakes.
É a segunda vez que o Chef apresenta suas criações na cidade, que diz ter extremo carinho e interesse. Esteve antes no Bazar da companhia de teatro Vigor Mortis, onde montou um café e deixou muita gente animada com suas comidinhas. E seus cupcakes fizeram tanto sucesso que bastava uma torre ser montada para sumirem de lá em poucos minutos. É comida feita com amor. E amor, vocês sabem... é coisa séria.
O convite surgiu informalmente, Daniel se encantou com o pequena e deliciosa casinha, onde há uma cozinha, absolutamente encantadora e verdadeira - segundo ele. O restaurante apresenta ao seu público a oportunidade de uma cozinha simples porém sofisticada no sentido de ser baseada na escolha de ingredientes naturais e de qualidade. O chef, para esta noite, tratou de elaborar um cardápio simples porém repleto de afeto e conforto. Será servido um trio de entradas - uma fria, uma morna e uma quente, após um chá. A seguir, o prato principal que promete perfume e sabor. Encerrando, uma deliciosa sopa de frutas, servida com uma miniatura de um dos seus famosos cupcakes.
É a segunda vez que o Chef apresenta suas criações na cidade, que diz ter extremo carinho e interesse. Esteve antes no Bazar da companhia de teatro Vigor Mortis, onde montou um café e deixou muita gente animada com suas comidinhas. E seus cupcakes fizeram tanto sucesso que bastava uma torre ser montada para sumirem de lá em poucos minutos. É comida feita com amor. E amor, vocês sabem... é coisa séria.
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